DIÁRIO POLÍTICO DE FEIRA NOVA

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lula: 'Equipe de Dilma será imagem e semelhança dela'


Atual presidente e futura chefe da nação concederam coletiva na manhã desta quarta

AE

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento no fim da manhã desta quarta-feira (3) para esclarecer aos partidos políticos e aqueles que tentam sugerir nomes para a equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), que "rei morto, rei posto". "A equipe de Dilma será a imagem e semelhança dela", disse Lula, na tentativa de encerrar uma discussão que surgiu no fim de semana, na imprensa, sobre os desejos dele próprio de indicar e sugerir nome de ministros que ele gostaria que permanecesse no governo.
Entre os três citados estavam os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Mantega e Meirelles têm encontro marcado com Lula na tarde desta quarta. "Ex-presidente não indica. Sugere quando é solicitado", afirmou.

Economia
Lula acabou se estendendo e respondendo perguntas sobre economia, política e negociação com o Congresso. O tema principal da transição para o governo de Dilma é a questão cambial. Lula disse que o que há de coincidência entre Dilma e ele em relação ao câmbio é "que os dois defendem o câmbio flutuante".
Lula, mais uma vez, criticou a política dos países de proteção a suas próprias moedas, impondo aos outros países uma sobrevalorização das moedas locais. Pela primeira vez, ele citou os Estados Unidos e a China como responsáveis pela volatilidade do câmbio no mercado internacional. "Os Estados Unidos e a China estão fazendo a guerra cambial", afirmou. Os Estados Unidos, "por tentar resolver seus problemas internos", e a China, para não perder competitividade internacional.
Nesse período de transição, segundo Lula, o governo "fará o que for possível" para que Dilma assuma o governo com tranquilidade e sem sobressaltos. A estratégia é garantir um início de governo com as medidas a fim de garantir o crédito de longo prazo às empresas. Enquanto isso, Mantega e Meirelles acompanharão o mercado de câmbio para impedir que o real se mantenha sobrevalorizado.

CPMF
A presidente eleita Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira que não pretende enviar ao Congresso um projeto ressuscitando a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas ponderou que está aberta a discutir o assunto com os governadores. Segundo ela, há um movimento dos governadores em favor da retomada desse imposto, que foi derrubado em 2007 pelo Congresso. "Tenho preocupação com criação de imposto. Preferia outro mecanismo. Mas vejo uma mobilização dos governadores", disse Dilma, ressaltando que a Saúde, juntamente com a Educação, estão no topo da lista de prioridades de seu futuro governo.
Outro tema citado como prioritário em seu futuro governo é a segurança pública, assunto que, segundo ela, demandará uma articulação com governadores e prefeitos. Ainda em relação à CPMF, Dilma disse que não há uma "necessidade premente" do governo federal em relação a isso, mas como há a mobilização dos governadores, ela vai abrir diálogo sobre o tema. "Não vou enviar a proposta para retomar a CPMF, mas vou ter diálogo com os governadores", disse Dilma, destacando que recebeu ligação "republicana" do governador eleito de São Paulo Geraldo Alckmin, o que a deixou contente.
Os questionamentos sobre a CPMF foram feitos em função de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se manifestado sobre o tema na entrevista com jornalistas, que antecedeu a fala de Dilma. Ele indicou que gostaria de ver o tributo recriado para equacionar os problemas da área de saúde e criticou a oposição por ter se empenhado para derrubar o imposto.

Oposição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo à oposição para que não torça contra o Brasil a partir de 1.º de janeiro, data da posse da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT). "Queria pedir à oposição que, a partir de 1º de janeiro, eles (oposição) olhassem um pouco mais o Brasil, torcessem para o Brasil dar certo", disse o presidente, acrescentando que cada atitude da oposição contra o governo prejudica parte da população.
"Eu queria apenas pedir a compreensão de que dentro do Congresso a oposição não faça a política do estômago, da vingança, do trabalhar para não dar certo. Oposição tem outro papel", disse Lula, lembrando que a oposição elegeu governadores de importantes Estados e que eles sabem da importância de uma boa relação com o governo. "Senão, todos perdem." Para o presidente, a oposição não pode perder sua característica de oposição.

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