DIÁRIO POLÍTICO DE FEIRA NOVA

DIÁRIO POLÍTICO DE FEIRA NOVA

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chantagem sindical

De olho em cargos públicos, altos salários e controle sobre orçamentos bilionários, centrais agitam e ameaçam o governo

Adriana Nicacio e Alan Rodrigues

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QUARTA-FEIRA 9
Manifestação de metalúrgicos paulistas marca o
início da onda de ameaças que centrais promovem contra o governo Dilma

Na quarta-feira 16, uma trupe de sindicalistas de todos os matizes desembarcará em Brasília para pressionar deputados e senadores a votar contra o projeto do governo que reajusta o salário mínimo para R$ 545. Na contabilidade das centrais sindicais, o governo pode oferecer mais e, por isso, elas querem empurrar o Congresso Nacional a decidir por um piso salarial de pelo menos R$ 560. O que está por trás dessa estridente movimentação, no entanto, não é apenas uma diferença de R$ 15. A demonstração de força da blitz sindical esconde, na verdade, outra intenção: a defesa de benesses conseguidas no governo passado. Hoje, representantes das diferentes centrais sindicais brasileiras ocupam mais de 1,3 mil cargos na administração federal e têm sob seu poder um orçamento anual superior a R$ 200 bilhões. E eles temem que a presidente Dilma Rousseff, sem o mesmo vínculo histórico de Lula com o sindicalismo, mexa neste império. A decisão do governo de não ampliar as negociações em torno do salário mínimo atiçou ainda mais as suspeitas.

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Os sindicatos conquistaram um poder inédito durante o governo Lula. No primeiro mandato, quando esteve acuado pela crise do Mensalão, chegando a correr o risco de sofrer um processo de impeachment, o ex-presidente buscou o apoio das centrais sindicais. Em caso de acirramento do desgaste político no Congresso, as centrais garantiram que colocariam à disposição do presidente os 58 milhões de trabalhadores ligados aos mais de seis mil sindicatos associados às centrais. Ao ser reeleito, em 2006, Lula retribuiu o apoio, entregando cargos-chave da administração federal para integrantes dos sindicatos. Ficaram sob poder das centrais os bilionários fundos de pensão do Banco do Brasil, a Previ, que administra um patrimônio de cerca de R$ 150 bilhões, e a Petros, o fundo de pensão da Petrobras, com um patrimônio na casa dos R$ 40 bilhões. Sindicalistas ainda ocuparam postos-chave em estatais, como a própria petroleira brasileira, Furnas e até no conselho de administração do BNDES. Apenas em salários e benefícios, os sindicalistas empregados no governo federal recebem algo próximo a R$ 60 milhões.


Não foi à toa, portanto, que as centrais sindicais viram com temor a determinação de Dilma de acabar com os feudos no setor elétrico e mostrar, claramente, que pretende montar um governo com perfil mais técnico. “É óbvio que não há garantia de que esses cargos serão mantidos nas mãos das centrais, todo o segundo escalão está sendo discutido e a própria Dilma está cuidando da nomeação dos postos que ela considera chave”, afirma um deputado petista com bom trânsito no Planalto. “A presidente já mostrou que quer eficiência e não vai se contentar com nomes que não tenham relação técnica com as áreas”, afirma um parlamentar paulista, também próximo ao chamado núcleo duro do governo.

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“Nunca saímos de mãos vazias de uma negociação
com o governo Lula”

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical


Percebendo riscos ao reinado conquistado nos últimos quatro anos, as centrais decidiram reagir. Optaram por quebrar o acordo firmado com Lula em 2007, pelo qual o mínimo seria reajustado pela inflação e o crescimento do PIB dos dois anos anteriores, e partiram para o confronto aberto com o governo. A luta renhida pelo aumento de apenas R$ 15 – o que representa um impacto de 2,7 bilhões aos cofres públicos – é uma demarcação de terreno nesse momento de composição do segundo escalão. Por mais paradoxal que possa parecer, o grande alvo de embate para os sindicatos hoje não são mais os patrões, mas sim um governo que tem o sindicalismo em sua base e hoje sustenta as centrais com o imposto sindical.


Um estudo da professora de ciência política da Faculdade de Sociologia da PUC do Rio de Janeiro, Maria Celina D’Almeida, ajuda a entender o porquê da mudança de rota nos embates sindicais. Em seu livro “A Elite Dirigente do Governo Lula”, Maria Celina mostra que nunca na história deste país os sindicalistas ocuparam tantos cargos estratégicos em ministérios, bancos, estatais, fundos de pensão e autarquias federais. Apenas nos conselhos fiscais dos três maiores fundos de pensão do País – a Previ, a Petros e a Funcef –, 67% dos postos são ocupados por sindicalistas. No governo FHC, essa proporção era de 41%. Nos cargos de confiança, aqueles em que o funcionário é indicado, sem necessidade de fazer concurso público, os sindicalistas também estão amplamente representados. Nos cerca de 2,5 mil postos de alta remuneração, as chamadas DAS 5 e 6, em que o salário pode chegar a R$ 11 mil, existentes no governo federal, mais de mil deles são ocupados por sindicalistas. “O fato de trazer trabalhadores para o âmbito do governo pode significar benefícios para os dirigentes, mas não necessariamente para a sociedade brasileira”, diz Maria Celina.


Na quarta-feira 16, essa guerra de interesses, que tem o aumento do mínimo apenas como um irrelevante cenário de batalha, chegará ao seu ápice. As centrais prometem levar milhares de trabalhadores a Brasília e, até lá, vão pressionar ao máximo para conseguirem, se não barrar o projeto do governo, ao menos dificultar, e muito, sua aprovação no Congresso. “Nunca saímos de mãos vazias de uma negociação com o governo Lula”, lembra o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, segunda maior central do País, atrás da CUT. Paulinho tem sido o líder desse movimento contra o governo, mas conta com o apoio até da CUT, que sempre viveu uma relação quase simbiótica com o PT. “Na crise, o governo criou desonerações para socorrer os empresários, por que não pode abrir uma exceção nesse momento para os trabalhadores?”, questiona Artur Henrique, presidente da CUT, mostrando que o discurso está alinhado com o de Paulinho.

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São as duas maiores centrais sindicais que detêm a maior parte dos 1,3 mil cargos ocupados por sindicalistas no governo hoje. Mesmo assim, conseguiram o apoio maciço de todas as outras centrais, que, por uma razão ou por outra, entraram na onda para um aumento do salário mínimo superior. Cabe a elas os ataques mais duros à presidente. “A presidente Dilma não tem traquejo para lidar com sindicalistas. Mas terá que negociar. Não queremos fechar as portas, mas temos condições de bagunçar o coreto”, diz Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores). Na mesma linha vai Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), braço sindical do PCdoB. “Se a Dilma continuar ignorando o movimento, as coisas vão azedar.”


O governo está confiante de que vencerá essa queda de braço no Congresso, mas sabe que, se não tomar cuidado, as coisas podem, sim, azedar. Em um movimento praticamente impensável há alguns anos, as centrais sindicais buscaram o apoio da oposição para desafiar o governo no Parlamento. Paulinho iniciou articulações com o PSDB, o DEM e o PPS para vencer o governo na próxima quarta-feira. Além dos oposicionistas, que encontraram nas discussões do mínimo a primeira oportunidade de enfrentar um governo absolutamente majoritário no Congresso, as centrais contam com uma bancada de 61 deputados e seis senadores. “Eles têm o direito de mobilizar quem eles quiserem. Mas estão completamente errados. Não aceitaremos chantagem sindical”, alerta o deputado petista Cândido Vaccarezza (SP), líder do governo na Câmara dos Deputados, dando o tom do contra-ataque que o governo prepara.


A votação do mínimo é só o primeiro capítulo de uma guerra que promete ser longa. Em março, o governo quer rever o repasse dos quase R$ 100 milhões do imposto sindical para o caixa das instituições. O governo decidiu que as centrais sindicais que representem menos de 7% dos trabalhadores brasileiros não terão mais direito a receber o imposto. Das seis centrais existentes hoje no Brasil, duas se enquadram nessa situação: a Nova Central Sindical dos Trabalhadores e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil. Juntas, elas recebem mais de R$ 10 milhões do Ministério do Trabalho. Como se vê, há muito mais na mesa de negociação do que o aumento do salário mínimo.

Corte e Costura

Ronaldo Fenômeno anuncia o fim da sua carreira

Ronaldo Fenômeno anuncia o fim da sua carreira

'Eu queria continuar, mas não consigo', lamenta o atacante do Corinthians

Daniel Piza, O Estado de S. Paulo

Nesta segunda-feira, ao meio-dia, Ronaldo Fenômeno anuncia o fim de sua carreira. Dezoito anos depois de sua estreia pelo Cruzeiro, mais de 400 gols em sete clubes e na seleção brasileira, incluindo quinze gols em Copas, e três vezes melhor jogador do mundo (1996, 1997 e 2002), o atacante do Corinthians cedeu ao cansaço. "Não aguento mais", disse ele neste domingo à tarde ao Estado. "Eu queria continuar, mas não consigo. Penso uma jogada, mas não executo como quero. Tá na hora. Mas foi lindo pra caramba."

Governo prevê vitória folgada na votação do mínimo

O ministro da Fazenda reunido com líderes sindicais - Foto: / Michel Filho

Gerson Camarotti e Regina Alvarez, O Globo

Tratada como o primeiro grande teste político do governo Dilma, a votação do projeto de lei que fixa o salário mínimo em R$ 545 para 2011, prevista para quarta-feira, é o foco das atenções do governo esta semana.

O Palácio do Planalto está irredutível na disposição de manter este valor do mínimo e as bases do acordo fechado com as centrais sindicais, ainda no governo Lula.

Segundo assessores diretos, Dilma vai determinar, na reunião de coordenação política desta segunda-feira, que seus articuladores no Congresso exijam fidelidade dos aliados para garantir a aprovação do projeto nesses moldes, sem ceder aos apelos das centrais sindicais, que defendem um mínimo de R$ 560 em 2011.

A presidente quer usar essa votação como um termômetro para medir a dimensão real de sua base parlamentar e contar os infiéis.

Esse critério será adotado, inclusive, na distribuição dos cargos do segundo escalão. Estrategicamente, a partilha política dos cargos só será feita depois da votação.

Avaliação feita no fim de semana por integrantes do Palácio do Planalto indicava um risco mínimo de derrota na votação do projeto. Alguns assessores arriscaram prever "chance zero" de um recuo no valor de R$ 545, na votação de quarta-feira.

Como um projeto de lei é aprovado por maioria simples - metade mais um dos parlamentares presentes - o governo avalia que precisará pouco mais de 230 votos para garantir o valor do mínimo. E a contabilidade feita ontem indicava que 350 votos estão garantidos.

Na volta à cena política, Lula evita ofuscar Dilma


Ex-presidente Lula na festa dos 31 anos do PT- Foto: / André Coelho

Leila Suwwan e Tatiana Farah, O Globo

Após um mês de férias, Luiz Inácio Lula da Silva voltou com força ao cenário político.

Embora cercados de cautela, seus primeiros passos como ex-presidente não têm sido tímidos. Enquanto a sede de seu instituto não fica pronta - a inauguração está prevista para abril em um imóvel na região do Ibirapuera, na capital paulista -, aproveita para fazer viagens internacionais e cuidar de articulações, nos bastidores, sobre temas nacionais, como a negociação do salário mínimo.

Lula está cercado de assessores que primam pela discrição, como Clara Ant, Paulo Okamoto e Luiz Dulci.

Oficialmente, o formato da vida pós-mandato e o modelo de atuação pública do ex-presidente ainda estão sob estudo. Mas, como Lula não consegue evitar os holofotes, a única regra fixada, por enquanto, é não roubar espaço de sua sucessora, Dilma Rousseff. As conversas com a atual presidente têm sido frequentes.

- Ele (Lula) está com muita dúvida. Qual o problema do Lula? É, de maneira alguma, entrar na paralela. É tomar o cuidado extremo de nada fazer que signifique uma intervenção, um poder paralelo no governo Dilma. É a consciência de que ele não deve fazer nada que atrapalhe, que tire a centralidade do governo da Dilma. Não é um problema com ela, porque ela tem um carinho e uma dedicação total a ele. De outro lado, ele quer ver como é que ele ajuda - explica o ministro das Relações Institucionais, Gilberto Carvalho.

Frase de Dia

"Não temos carguinhos.”

Paulo Pereira da Silva, deputado (PDT/SP) e líder da Força Sindical, que insiste no salário mínimo de R$560,00

Num Congresso de inocentes, o normal vira anormal

Divulgação

Não há culpados no Congresso. Apenas inocentes. Ou cúmplices. Todos são bons sujeitos. Mesmo os maus.

Como no mundo deles não existe diferença moral entre receber o 15º salário e receber qualquer outra vantagem, é tudo parte do pacote.

Até aqui, qualquer coisa que eles fizessem era normal. Até o anormal. Súbito, surgiu no Legislativo uma diferença.

Já não se pode vender o equívoco como correto com a cara completamente limpa. Deve-se o estabelecimento do contraste a José Antônio Reguffe (PDT-DF).

Acaba de ser eleito para o seu primeiro mandato de deputado federal. Amealhou 266 mil votos. Proporcionalmente, foi o deputado mais votado do país.

Prevaleceu por 19% a 6% se comparado ao colega Tiririca (PP-SP), dono da maior votação absoluta: 1,3 milhão de votos.

Reguffe deve a votação vistosa à forma diferente como faz política. Ele vem da Câmara Distrital de Brasília. Cruzou a lama do ‘Arrudagate’ limpo.

Nas pegadas do triunfo eleitoral, Reguffe anunciou que repetiria na Câmara federal algo que o distinguia na cena distrital: abriria mão de todos os privilégio$.

Empossado, enviou ofícios à Mesa diretora da Câmara. Abdicou dos salários extras (14º e 15º) e da verba indenizatória (R$ 15 mil).

Como reside na Capital, renunciou também à cota de passagens e ao auxílio-moradia.

Lipoaspirou a folha do gabinete. Em vez de 25 assessores, contratou nove. Reguffe faz as contas:

“Só com essas medidas, ao longo do mandato, vou economizar aos cofres públicos R$ 2,38 milhões”.

Por quê? “O que defendo e estou praticando é que o mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos ao contribuinte. O custo hoje é excessivo”.

Pressionando aqui, você chega a uma entrevista concedida por Reguffe ao repórter Vitor Vogas. Numa passagem da conversa ele foi inquirido: considera-se diferente?

E Reguffe: “Não. Sou apenas alguém tentando fazer a minha parte e honrar os compromissos com as pessoas que votaram em mim...”

“...O importante é a pessoa ser honesta e fazer a sua parte, e é isso que pretendo fazer”.

Ao fazer a sua parte, Reguffe como que expõe o todo. Fica mais fácil notar a anormalidade no normal que viceja ao redor.

Sob Lula, o gasto subiu R$ 282 bi. Dilma paga a conta


Alan Marques/Folha

Herança, como se sabe, é o que o descendente recebe quando o antepassado não teve a sabedoria de gastar tudo antes de tornar-se pretérito.

Progenitor político de Dilma Rousseff, Lula revelou-se um ascendente estróina. No governo dele, os gastos cresceram R$ 282 bilhões, descontada a inflação.

O grosso da derrama (78,4%) ocorreu no segundo reinado. Apenas entre 2006 e 2010, as despesas foram tonificadas em R$ 221 bilhões.

Deve-se a iluminação do legado fiscal de Lula às repórteres Regina Alvarez e Patrícia Duarte. Elas enfeixaram numa notícia dados recolhidos junto a especialistas.

A aferição dos gastos extras de Lula, por exemplo, consta de estudo do economista Fernando Montero, da Convenção Corretora.

Dilma ainda não disse, mas recebeu uma herança fiscal amaldiçoada. Não disse nem pode dizer.

Está condenada ao silêncio primeiro por lealdade ao patrono. Segundo, pelo instinto de autopreservação.

Vendida na eleição como supergerente, responsável por todo o governo, Dilma atiraria contra o pé se dissesse que não viu o escancaramento das arcas.

Assim, a pupila de Lula paga a conta sem chiar. Viu-se compelida a passar na lâmina R$ 50 bilhões do Orçamento de 2011.

Manuseia a faca para tentar consertar o testamento. Herdou inflação e taxa de juros em alta, carga tributária excessiva...

...E um Orçamento inflado em rubricas que, por permanentes, são imodificáveis: folha de pessoal e benefícios previdenciários.

Versado em contas públicas, Alcides Leite, da Consultoria Trevisan, realça um dos aspectos danosos da encrenca:

O aumento dos gastos correntes do governo, em níveis acima do crescimento do PIB, freou os investimentos.

Tomado pelo cofre, o reinado de Lula divide-se em duas fases –antes e depois da crise financeira internacional.

De 2003 a 2008, o superávit primário –dinheiro poupado para pagar os juros da dívida pública— praticamente dobrou. Foi a R$ 101,696 bilhões.

Nesse período, as metas fiscais que o governo se autoimpôs foram cumpridas. Sobreveio a crise. E as contas se deterioraram. Porém...

...Porém, um pedaço da ruína é aplaudido pelos especialistas. Por quê? Decorreu de providências adotadas pelo governo para atenuar os efeitos da crise.

Medidas como a isenção ou redução de alíquotas de tributos incidentes sobre carros, motos e eletrodomésticos. Algo que roeu a arrecadação do fisco.

Em 2009, a meta de superávit não foi cumprida. Mas o relaxamento fiscal foi à conta do bem sucedido combate à crise.

O maior problema foi 2010. Nesse ano, os cofres continuaram abertos. A crise arrefecera. Mas havia a eleição.

Para reanimar as receitas e manter os gastos em alta, o governo recorreu à madracaria.

Ao capitalizar a Petrobras, fez uma mágica contábil que borrifou nas arcas do Tesouro um extra de R$ 32 bilhões.

A despeito disso, não conseguiu entregar a meta de superávit primário. Precisava poupar 3,1% do PIB. Mas só fez um pé de meia de 2,78%.

Nas dobras da execução orçamentária de 2010, a propósito, esconde-se outra razão para o silêncio de Dilma em relação ao legado malfazejo.

Candidata da prosperidade, a agora presidente foi beneficiária direta da atmosfera de gastança.

Governo quer mudar previdência de servidor público

Dilma Rousseff decidiu levar a mão a um vespeiro. Vai mandar ao Congresso projeto que altera o sistema de previdência dos servidores públicos.

Hoje, ao vestir o pijama, o servidor assegura aposentadoria igual ao salário que tinha na ativa.

Deseja-se interromper a mamata para os servidores que ingressarem nos quadros do Executivo, Legislativo e Judiciário depois da aprovação da nova lei.

Deve-se a informação ao líder de Dilma no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Quem já tem direito à aposentoria integral não será importunado, diz ele.

Quem ainda não tem, vai aos quadros do Estado com as mesmas regras do trabalhador da iniciativa privada.

Significa dizer que, ao aposentar-se, o novo servidor receberá no máximo o teto fixado pelo INSS para o setor privado. Em cifras de hoje: R$ 3.689,66.

No mesmo projeto, o governo vai regulamentar o fundo complementar de aposentoria do setor público.

Quem achar que a nova aposentadoria não enche a geladeira poderá associar-se ao fundo. O reforço será condicionado à contribuição (entre 6% e 9% do salário).

A União será patrocinadora do fundo, na proporção de um para um. Ou seja, borrifará no fundo valor igual à contribuição do servidor.

Junto com a perspectiva de estabilidade, a aposentadoria integral atrai milhões de jovens para os concursos públicos.

Sem ela, a fila de candidatos talvez fique menor. No longo prazo, dimunirá também o décifit da Previdência. Justo, muito justo, justíssimo.

Agora, só falta o governo combinar com os russos –no caso, os congressistas.

Na contramão de Brasília, os Estados ignoram a faca


Para cumprir a meta fiscal de 2011, o setor público precisa fazer um pé de meia de R$ 117,9 bilhões. Dinheiro para o abatimento da dívida do Estado.

O grosso da economia, R$ 81,8 bilhões (2,02% do PIB), é atribuição do governo federal. O resto, R$ 36,1 bilhões (0,89%) cabe aos Estados e municípios prover.

Dilma Rousseff levou a mão à faca. Prometeu um talho de R$ 50 bilhões, a ser esmiuçado nesta semana.

O repórter Gustavo Patu foi conferir a disposição dos Estados. Verificou que os quatro maiores –SP, RJ, MG e RS—remam noutra direção.

Projetam orçamentos que passam longe do grau de austeridade esboçado por Brasília. Algo que torna a meta de superávit um vir a ser de difícil execução.

Se os responsáveis pelo orçamento público fossem arquitetos, talvez devessem abrir uma rubrica para a vegetação.

Não resolveu o problema. Porém, quando o projeto desandar, podem dizer, em coro: “Não tem problema. A gente coloca umas plantas.


Mínimo: Planalto cobra do ministro Lupi votos do PDT

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) tornou-se, nos subterrâneos do Planalto, alvo de apimentadas críticas.

Dissemina-se ao redor de Dilma Rousseff a impressão de que Lupi esquiva-se de assumir, com a ênfase devida, a defesa do salário mínimo de R$ 545.

Guindado à Esplanada por Lula, Lupi foi mantido por Dilma. Representa no ministério o PDT.

O mesmo PDT que, sob influência de Paulo Pereira da Silva (SP), deputado e presidente da Força Sindical, ameaça votar contra o governo.

Paulinho da Força, como o deputado é chamado, cabala votos na Câmara em favor do mínimo para R$ 560 (chegou a defender R$ 580).

A bancada de deputados do PDT soma 28 votos. Na semana passada, a legenda esquivou-se de assumir compromissos com o governo.

Na noite deste domingo (13), em conversa com o repórter, um auxiliar de Dilma estranhou o silêncio de Lupi, principal liderança do PDT.

Tachou o mutismo do ministro ora de "incompreensível" ora de “inadmissível”.

Disse que nada diz mais respeito ao ministro do Trabalho do que a fixação do valor e da política de reajuste para o salário mínimo.

Afirmou que, a essa altura, Lupi deveria estar “suando a camisa” na defesa das teses do governo.

Insinuou que se espera do ministro: entrevistas enfáticas, visitas à Câmara, reuniões "seus" deputados.

A votação do projeto do salário mínimo está marcada para esta quarta-feira (16).

A Câmara será convertida em “praça de guerra”, prevê o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).

Os deputados votarão sob o clamar de galerias apinhadas de trabalhadores. Gente arrebanhada pelos sindicatos.

As centrais, à frente a Força de Paulinho e a CUT, braço sindical do PT, descem ao front em trincheira oposta à de Dilma, a quem deram apoio na eleição.

Na batalha do mínimo, o baronato sindical faz aliança não declarada com os oposicionistas PSDB e DEM. E tenta seduzir governistas insatisfeitos.

Nesta segunda (14), em reunião com os operadores políticos de sua tropa, Dilma deve repisar uma máxima que converte aliados em reféns.

A presidente guia-se por um raciocínio que expôs em encontro com ministros, na véspera do anúncio do corte de gastos de R$ 50 bilhões.

Referindo-se à votação do mínimo, Dilma declarou: Aliado pela metade não existe. Quem votar contra os R$ 545 vai à vala comum dos adversários.

Líder de Dilma na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PP-SP) cuidou de ecoá-la no final de semana.

Disse: deputado de legenda governista que votar contra o governo será catalogado como “dissidente”.

Ficou subentendido que os 'silvérios' perderão a preferência na partilha de verbas e cargos. Sob o silêncio de Lupi, Paulinho dá de ombros.

No esforço que empreende para abrir uma fenda no consórcio governista, o deputado recorda aos colegas que suas emendas já foram passadas na lâmina.

Deputados e senadores penduraram no Orçamento de 2011 emendas avaliadas em R$ 21 bilhões. Desse total, foram alcançados pela faca R$ 18 bilhões.

Na terça (15), véspera do ‘Dia D’, vai à Câmara o ministro Guido Mantega (Fazenda). Em sessão aberta, debaterá com representantes das centrais.

Foi uma das exigências da oposição para concordar com a votação a toque de caixa, já na quarta.

A outra condição foi o voto aberto, com o nome dos deputados expostos no painel eletrônico. Nos dois casos, tenta-se produzir constrangimento.

Os pelotões da Câmara movem-se contra um pano de fundo que inclui a partilha das poltronas do segundo escalão do governo Dilma.

Considerando-se o discurso oficial, só estarão credenciadas para fazer indicações as legendas que obedecerem o governo.

Levando-se o discurso a fronteiras extremas, só teriam autoridade para continuar na Esplanada os ministros de partidos comprometidos com os R$ 545.

Já neste primeiro confronto legislativo, expõe-se a natureza da coligação partidária que dá suporte ao “novo” governo.

Fica entendido que, a exemplo de todos os antecessores, Dilma formou não um ministério com os melhores nomes, mas um gabinete politicamente rentável.

Serve-se agora da única linguagem que congressitas movidos a interesse$ entendem: a chantagem. Não é bonito de ver. Porém...

Porém, o excesso de pragmatismo livra a platéia da hipocrisia.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Hoje no programa Bola na Rede da FM Feira Nova o ouvinte Ivan Dolero questionou um dos apresentadores César, por que no ano em que ele era prefeito não reformou o estádio Gonzagão?

A resposta é simples amigo Ivan:
  1. Que você diz que fui prefeito durante a gestão de Marilene, o que não era verdade, a não ser quando depois de vc chorar uma hora no meu ouvido reclamando que o salário era pouco foi quando na mesma hora liguei para o vice da época e ele disse e você sabe "que se você não quise-se trabalhar entrega-se, pois antes desse trabalho você estava sem fazer nada".
  2. Depois se a equipe era tão ruim como você acha, o prefeito deveria ter mudado alguém, mais pelo contrário foi mantido todo mundo e os que saíram estão tentando traze-los, inclusive você continua do mesmo jeito e no mesmo local... que pena.
  3. Depois que minha críticas são no sentido de uma melhora para nossa cidade, diferentemente algumas pessoas que ficam fazendo média em mesa de bar e em ponta de rua fazendo criticas muito mais sérias e que realmente não edifica a cidade em nada envolvendo problemas financeiros pessoais como parte na administração as vezes alguns chegam a abrir dialogo com a oposição só e apenas para conseguir alguma vantagem com o governo.
  4. Espero que você seja lembrado em alguma coisa nessa gestão, o que acho muito difícil, o lugar de alguns é realmente com o tempo o esquecimento.
  5. É isso aí...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Diretoria de Esportes Fechada

Deste segunda feira que a diretoria de esportes esta fechada, segundo informações o diretor professor Naldinho entregou o cargo esta semana, preferindo voltar para sala de aula como tinha-mos informados anteriormente, mesmo o prefeito negando o fato hoje pela manhã esteve na casa do professor Naldinho para tentar convence-lo a ficar.
  1. Até os mais destacados comissionados na gestão tem dificuldade de relacionamento com o prefeito;
  2. Fica visível a situação de desmanche em que encontra o grupo político do prefeito;
  3. Para piorar nesses momentos de crise interna o grupo ainda se divide e tentam lançar Moacir Chaves na sucessão;
  4. E muito mais cargos de confiança relatam a vontade de deixar o governo por dificuldade de relacionamento com o prefeito que administra como sendo a prefeitura um empresa particular;
  5. Para piora muitos funcionários se queixando que estão recebendo apenas a metade do salário, ou seja o salário de um funcionário é dividido para dois (Dengue e Peti) e ainda com ameaça de demissão se houver denúncia;
  6. Mais a prefeitura não para de contratar e cortar salários dos funcionários;
  7. Nem mesmo o caminhão de lixo que esta chegando e os ônibus do governo federal, levantam a moral da tropa amarela em Feira Nova.
  8. É isso aí...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Programação do Carnaval 2011 – Feira Nova


· Sexta Feira

15:00 horas: Pólo da Folia - BANDA SWING LEVE

22:00 horas: O homem da meia noite (Orquestra de frevo)

· Sábado

20 horas: Bloco As Almas na folia

21:00 horas: Pólo da Folia - KELVIS DURAN/BANDA OBSESSÃO

· Domingo

11:00 horas: Bloco Abala Bichas – Ano 01

13:00 horas: Bloco as Virgens do Milênio

14:00 horas: Pólo da folia - BICHO DO MATO / TA DE BOA / ALTA PRESSÃO

20:00 horas: Bloco do Cuscuz – Ano 01

· Segunda Feira

13:00 horas: Bloco as Burras do Leandro

14:00 horas: Pólo da folia - ROSIMAR LIMA / RELUX/ GAROTA TROPIKANA

14:00 Pólo Cultural – Apresentação de Maracatu

20:00 horas: Arrasta Corno

· Terça Feira

14:00 horas: Pólo da Folia - ANJO ELÉTRICO/EXCESSO DE BAGAGEM

14:00 Pólo Cultural – Apresentação de Maracatu

16:00 horas:

Bloco do Jacaré com Geraldinho Lins

Elétrico e Banda Cintura Fina

· Quarta feira

12:00 horas: O Bloco Bacalhau do Samuel

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Últimas Notícias...

Hoje pela manhã saiu comentário na prefeitura que depois de reunião com secretário de educação o professor Naldinho entregou a diretoria de esportes , ainda não se sabe os reais motivos que levaram o professor a tomar essa decissão ou se ainda pode ser remediada.


Então estamos realizando a partir de hoje uma enquete do trabalho desenvolvido nestes 02 anos na diretoria de esportes, um trabalho inclusive muito bem avaliado pela população.

O que você acha do trabalho realizado pelo professor Naldinho
a frente da diretoria de esportes?

Segundo o reporter Vander Ferreira da FM Feira Nova que entrou em contato com o professor Naldinho esta tarde que disse que ainda não está confirmado a sua saída da diretoria oficialmente mais existe uma grande possibilidade.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ordem dos desfiles das escolas de samba é alterada no Rio


Escolas atingidas pelo incêndio não serão julgadas. Quem comprou ingresso e estiver insatisfeito com a mudança será ressarcido


O grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro não terá rebaixamento em 2011, e as três escolas prejudicadas pelo incêndio na Cidade do Samba não serão julgadas. Em reunião realizada no início da noite desta segunda-feira entre o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Jorge Castanheira, e os presidentes de todas as agremiações do Grupo Especial, ficou decidida também a alteração da ordem dos desfiles. O objetivo da mudança foi evitar que Grande Rio, Portela e União da Ilha, que não conseguirão fazer um espetáculo completo, entrem no mesmo dia na Marquês de Sapucaí. A Portela desfilará no domingo, e não mais na segunda-feira, como estava estabelecido originalmente. Em seu lugar, desfilará a Mocidade Independente de Padre Miguel.

O anúncio oficial das mudanças foi feito pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, depois de encontro com os representantes das escolas. Segundo Paes, quem tiver comprado ingressos e não ficar satisfeito com a mudança poderá pedir ressarcimento, mas não será possível assistir ao desfile em outra data. O prefeito fez um apelo para que o público também colabore para que a festa seja a melhor possível, e disse ter certeza de que o Carnaval carioca "é maior do que essa tragédia".

Paes informou que a prefeitura vai disponibilizar recursos financeiros para ajudar as escolas, e fará gestões também junto à iniciativa privada. "Luxo e qualidade podem cair, mas as três escolas vão desfilar, e estou certo de que serão os momentos mais emocionantes do desfile", disse Paes, que sai na bateria da Portela. "O Carnaval é feito de luxo e glamur, mas também de raça e samba no pé."

O presidente da Liesa disse que as escolas farão um mutirão para viabilizar o desfile das escolas atingidas pelo incêndio. A Grande Rio, que teve seu carnaval inteiramente destruído - com a perda de seus oito carros alegóricos e quatro mil fantasias -, vai ocupar o único barracão vago na Cidade do Samba. Nesta segunda-feira, esse espaço foi ocupado provisoriamente pela União da Ilha, que já o cedeu à escola que mais sofreu com a tragédia.

Tiririca: "Estou meio perdidão"


Nenhuma surpresa na estreia do palhaço-deputado na Câmara: ele assinou documento sem saber o que era e decorou gabinete com um chocalho de cabra

O comediante e deputado federal Everaldo Oliveira Silva, o Tiririca, participa da cerimônia de posse do novo Congresso Nacional, em Brasília


"O que é que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto". Esse era um dos motes do então candidato Tiririca, durante a campanha eleitoral de 2010. Passada a primeira semana na Câmara dos Deputados, Francisco Everardo Oliveira Silva (PR/SP), ainda não sabe explicar a seus 1,3 milhão de eleitores o trabalho que terá de desempenhar no legislativo. Nos dias de estreia, o ato mais significativo do deputado mais votado do Brasil foi assinar o pedido de abertura da CPI do DPVAT (destinada a investigar denúncias de irregularidades no seguro obrigatório de veículos automotores). Ele não se recorda do teor do documento. Assinou porque outros estavam assinando, afirma.

O deputado Tiririca falou ao site de VEJA enquanto voava de Brasília para São Paulo. Ele não precisou apresentar documento de identidade ao embarcar. “Já o conheço”, afirmou o comissário de bordo. A conversa foi interrompida algumas vezes por sua esposa, Nana Magalhães, que procurava... lapidar suas repostas:

O senhor já descobriu o que faz um deputado federal? Ainda não. Estou meio “perdidão”, chegando agora. É tudo muito novo, mas aos poucos vou me adaptar, se Deus quiser...

Mas o senhor já assinou até pedido de abertura de CPI, não? Assinei algumas coisas, mas de cabeça assim não sei dizer o que era. Foi muita coisa que a galera toda assinou, ou seja, vários deputados.

Como foi a chegada ao Congresso Nacional? Foi normal. Eu já esperava que as pessoas se aproximassem de mim, por ser o mais votado do país. Todos queriam me conhecer no gabinete, foram filas e filas de pessoas para tirar foto e desejar boa sorte. Foi bacana.

Deu muitos autógrafos? Sim, mas continua sendo só “Tiririca” mesmo. Não coloquei a palavra “deputado” na frente.

Como foi a primeira semana de trabalho? Muito legal. Fui bem recebido pelos colegas e orientado também por alguns, que me desejaram sorte. Eles tiraram fotos e mandaram recado de otimismo de suas famílias.

Que conselhos o senhor recebeu de seus pares? Para que eu ficasse tranquilo, já que há muitos outros novatos na Câmara. Acho que são mais de 200.

O senhor já conversou com outros novatos? Com o Romário, o Popó e outros lá do Maranhão e do Piauí. Eles estão igual a mim, todos meio perdidos.

O que o senhor espera para as próximas semanas? A mesma loucura e assédio que foi essa semana. Vai demorar para isso acabar, porque muita gente quer me conhecer, tocar, desejar boa sorte. Os funcionários da Câmara também me procuram muito, muito, muito. Com o tempo, vai dar para atender todos.

Em termos de trabalho, que projetos pretende apresentar? Tenho umas coisas na cabeça, mas estou estudando ainda, junto com o partido. Quando houver oportunidade, apresentarei o texto.

É possível adiantar as áreas em que se situam essas ‘coisas na cabeça’? Educação e também cultura, que tem tudo a ver com a minha cara. Vai sair algo legal por esse lado. Também vou incluir projetos para humoristas, atores, artistas de circo e cantores. A cultura abrange muita coisa, se Deus quiser vai dar certo.

O senhor pretende trabalhar para o fim da corrupção? Não pensei em nada disso ainda.

Como a eleição mudou a sua vida? Mudou tudo. Eu não usava terno e gravata, agora tenho que usar. Tudo é muito novo para mim.

O senhor já decorou o gabinete? As primeiras coisas que pendurei foram um chapéu de couro e um chocalhozinho para representar bem o Nordeste. Acho isso bacana.

E de onde o senhor trouxe esses objetos? Ganhei de presente do meu avô. O chocalho é de uma cabra, porque meu avô criava cabras. Ele me deu de presente quando era pequeno e guardo como um amuleto para dar sorte.

O senhor pretende seguir carreira política? Ainda não sei. Vamos ver.

GIRO NO MUNDO

Sudão do Sul decide, por esmagadora maioria, emancipar-se do Norte

Comunidade internacional celebrou resultado; separação definitiva das duas regiões está prevista para julho

AFP

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Segundo resultados definitivos divulgados esta segunda-feira, 98,83% dos habitantes do Sudão do Sul optaram, em referendo, por se emancipar do Norte, abrindo o caminho para o surgimento, em julho, de um novo Estado africano, uma vitória festejada tanto pela comunidade internacional, quanto na capital sulista, Juba. Os resultados, exibidos em telões durante cerimônia em Cartum, mostram que dos 3.837.406 de votos validados, apenas 44.888 - ou seja, 1,17% - eram favoráveis à manutenção da unidade com o norte. "O referendo foi transparente e não temos objeções a estes resultados", declarou o presidente da comissão do referendo, Mohamed Ibrahim Khalil.

Este anúncio era uma simples formalidade, visto que segundo os resultados preliminares completos, publicados em 30 de janeiro, 98,83% dos sudaneses do sul votaram pela independência. Em Juba, centenas de sudaneses do sul, reunidos perto do mausoléu de John Garang, líder histórico da rebelião sulista, morto em 2005, deram vazão à sua alegria, quando foram anunciados os resultados. "Somos livres!", gritou um estudante, Simon Puoch, em meio à multidão que agitava bandeiras, enquanto cantava e dançava. "Diziam que não conseguiríamos, que a violência explodiria no Sudão do Sul. Mas agora dançamos para festejar esta vitória pacífica", reforçou.

O referendo era um elemendo chave do acordo de paz que pôs fim, em 2005, a duas décadas de sangrenta guerra civil entre o norte, de maioria muçulmana e árabe, e o sul, majoritariamente cristão e negro. A comunidade internacional aplaudiu a credibilidade da votação, apesar dos desafios logísticos. O presidente americano, Barack Obama, anunciou que os Estados Unidos reconhecerão a "soberania e a independência" do Sudão do Sul em julho próximo e cumprimentou seus habitantes por ter votado a favor da independência no âmbito de um referendo que chamou de "histórico".

"Em nome dos americanos, eu cumprimento os moradores do Sudão do Sul por um referendo coroado de sucesso, no âmbito do qual uma maioria esmagadora de eleitores decidiu pela independência", declarou o presidente em um comunicado. "Portanto, estou honrado em anunciar a intenção dos Estados Unidos de reconhecer formalmente o Sudão do Sul como Estado soberano e independente em julho de 2011", acrescentou Obama. Em entrevista coletiva celebrada mais cedo na Casa Branca, o porta-voz de Obama, Robert Gibbes, já havia saudado a decisão dos sudaneses do sul, estimando que o referendo representou a chegada de "um novo começo na região".

A secretária de Estado americana também expressou sua satisfação com os resultados, instando as duas partes a tomar as medidas necessárias para a aplicação do acordo de paz de 2005. Outra que saudou o referendo, ao qual chamou de "histórico", foi a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que se comprometeu a buscar uma associação de longo prazo com o novo Estado. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a votação foi uma "grande conquista" dos sudaneses, segundo seu porta-voz, Martin Nesirky.

O referendo foi celebrado entre 9 e 15 de janeiro, na presença do presidente sudanês, Omar al Bashir, e do presidente da região semi-autônoma do Sudão do Sul, Salva Kiir. Kiir disse que a independência do sul não é "o fim da linha porque não podemos ser inimigos. Devemos construir relações fortes", acrescentou. Segundo os termos do acordo, a separação efetiva está prevista para 9 de julho. As autoridades do norte e do sul dispõem, agora, de menos de seis meses para chegar a um acordo sobre temas delicados, como a delimitação das fonteiras, a divisão dos ganhos petrolíferos e o estatuto da disputada região de Abyei.

Será preciso encontrar, assim, uma fórmula para partilhar a renda obtida com o petróleo, visto que 80% das reservas de petróleo do país, calculadas em mais de 6 bilhões de barris, estão no sul, mas a região depende do oleoduto que atravessa o norte do país para exportar a produção. As duas partes também têm que chegar rapidamente a um acordo sobre o estatuto das centenas de milhares de sulistas que continuam vivendo no norte, assim como dos nortistas instalados no sul, para evitar acelerar as ondas migratórias, já iniciadas.

Hora da Reflexão !

“Se você tem metas para 1 ano, plante arroz.
Se você tem metas para 10 anos, plante uma árvore.
Se você tem metas para 100 anos, então eduque uma criança.
Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o meio ambiente.”

PMDB lança manisfesto contra fisiologismo do partido

Em reação às ameaças constantes de líderes peemedebistas por cargos no governo, um grupo de 12 deputados do PMDB decidiu abrir a primeira dissidência formal na bancada e lança nesta terça-feira um manifesto contra o fisiologismo do partido, nas negociações por espaço no governo Dilma Rousseff.

O movimento começou a ser organizado nas últimas semanas, mas foi antecipado devido ao forte desgaste na imagem do PMDB, principalmente após as ameaças feitas pelo líder da bancada, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para manter o comando de Furnas nas mãos do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) .

A corrente intitulada "Afirmação democrática" funcionará como uma reedição dos "Autênticos do MDB", que, nos anos 70, lutaram pela redemocratização. A expectativa é que, a curto prazo, o movimento alcance 20 deputados e, depois, receba o apoio de senadores como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Simon (PMDB-RS), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Roberto Requião (PMDB-PR). O grupo tem deputados governistas e oposicionistas; o principal objetivo é resgatar a bandeira da ética e a recuperar a imagem do partido.

Gangs do Planalto

Filho de Lula não devolveu passaporte

Marcos Cláudio havia prometido há um mês entregar o documento; ex-presidente não quis comentar o caso. Segundo o Itamaraty, nenhum dos 8 parentes de Lula que possuem o passaporte diplomático devolveu o benefício

FRASE DO DIA

"O PT tem que se preocupar em reafirmar e defender o governo Dilma, mas sem esquecer nossa caminhada até aqui. Temos que ter orgulho do legado deixado pelo presidente Lula.”

Ministro Luiz Sérgio, das Relações Institucionais

Apagão...


Os moradores da região Nordeste que sofreram com um apagão de cerca de quatro horas durante a madrugada desta sexta-feira (4) e tiveram algum aparelho eletrônico danificado devem procurar a distribuidora de energia em até 90 dias para pedir o ressarcimento.

Segundo resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 2004, que estabelece as disposições relativas ao ressarcimento de danos elétricos em equipamentos instalados em unidades consumidoras, causados por perturbação ocorrida no sistema elétrico, o consumidor tem o prazo de até 90 dias corridos, a contar da data provável da ocorrência do dano elétrico no equipamento, para solicitar o ressarcimento à distribuidora.

A solicitação de ressarcimento pode ser efetuada através do atendimento telefônico, das agências de atendimento, pela internet e outros canais que a distribuidora dispuser. O consumidor pode optar também entre inspeção no local do equipamento danificado ou disponibilizá-lo para inspeção mais detalhada pela distribuidora ou empresa por ela autorizada.

Já a distribuidora deverá informar ao consumidor a data e o horário aproximado para a inspeção ou disponibilização do equipamento e inspecionar e vistoriar o equipamento no prazo de até 10 dias corridos, contado a partir da data do pedido de ressarcimento. Para eletrodomésticos usados na conservação de alimentos perecíveis, como geladeiras efreezers, a vistoria deve ocorrer em até 1 dia útil, informa a Aneel.

A distribuidora deve informar ao consumidor, por escrito, no prazo máximo de 15 dias corridos, contado a partir da data da vistoria ou, na falta desta, a partir da data do pedido de ressarcimento, sobre o resultado do pedido de ressarcimento. O ressarcimento poderá ser feito por meio de pagamento em moeda corrente ao solicitante ou, ainda, providenciar o conserto ou a substituição do equipamento danificado em até 20 dias corridos.

Assembléia do PR tinha três ‘escutas’ e um ‘grampo’

Paixão

Sob nova direção, a Assembléia Legislativa do Paraná, palco de escândalos milionários, passou por uma varredura no final de semana.

No sábado (5), descobriram-se três escutas ambientais ilegais. No domingo (6), detectou-se um grampo telefônico clandestino.

Encomendado a uma empresa privada, a Embrasil, o esquadrinhamento do aparato de espionagem que monitora a Assemlbéia prossegue nesta semana.

As escutas ambientais já descobertas estavam sobre as placas do forro. Duas em salas de reuniões da presidência da Assembléia.

A terceira, na sala que abriga a primeira-secretaria, responsável pela administração do Legislativo estadual.

O grampo havia sido implantado numa linha telefônica instalada numa das salas do presidente da Assembléia. Fica ao lado do plenário.

O aparelho costuma ser utilizado por deputados estaduais durante as sessões. A escuta encontrava-se ativa. Desde quando? Por ora, não se sabe.

Deve-se o pedido de varredura ao novo presidente da Assembléia paranaense. Chama-se Valdir Rossoni (PSDB). Foi eleito em 1º de fevereiro.

Antes da eleição, o deputado Rossoni fora procurado por ex-seguranças da Assembléia. Afastados, cobravam a recontratação. Não foram atendidos.

Sob a alegação de que os seguranças o ameaçavam, Rossoni requereu ao governo do Estado o envio de policiais militares à Assembléia.

O pedido foi deferido pelo governador Beto Richa, tucano como Rossoni. E, na madrugada de quarta (2) da semana passada, a PM ocupou o prédio.

Os achados do final de semana resultarãoá na abertura de um inquérito policial. Deseja chegar aos responsáveis pela bisbilhotagem.

No dizer do deputado Rossoni, o Legislativo tornou-se “o palácio dos grampos”. Ele acrescentou: “Não tenho o que dizer, apenas lamentar”.

Atribuiu a espionagem às “forças estranhas que não queriam entregar o poder”. Corre em paralelo uma auditoria nas contas da Casa.

Os malfeitos pupulam. No seu desdobramento mais recente, o escândalo levou às manchetes notícia sobre supersalários pagos a 38 servidores fantasmas.

Os fantasmas mais afortunados beliscaram mais de R$ 1 milhão entre 2005 e 2009.

Quinze servidores invisíveis se enquadravam nesse seleto grupo dos contracheques milionários. Juntos, sorveram das arcas estaduais R$ 16,8 milhões.

Ao longo desta semana, um aparato de 30 policiais militares vai permanecer na Assembléia, para prover a segurança da Casa.

É gente que deveria policiar as ruas. Porém, a taxa de bandidagem da Assembléia tornou inevitável a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Parlamantar).